QUEM SOMOS

Nossa História
      Eu ainda era muito pequena e já sonhava em ter uma escola, acho que porque amava estudar, pois via ali, na escola, um ambiente estimulador: gostava de ficar imaginando, antes das aulas, o que de novo aprenderia naquele dia! Isso para mim era inspirador, saber que entraria sem saber algo que saberia ao final daquele dia.
     O tempo passou e eu já não era mais uma criança, embora tenha sido criada numa empresa que não tinha nada a ver com Educação, pois meu pai sempre fora industrial, eu sempre conseguia ver que toda e qualquer mudança que fosse necessário fazer em qualquer segmento dela, aí vinha a necessidade do conhecimento, artigo tão encontrado nas escolas. Então cada vez mais eu me interessava por essa área, ou seja, pela Educação.
     Tão logo me decidi por isso, fui até o interior de São Paulo- na época já morava em Santa Catarina, precisamente na cidade de Garopaba- em busca de informação acerca de faculdade de Pedagogia que uma determinada instituição renomada oferecia, já que ouvira falar tão bem da mesma. Foi nessa ocasião que meu irmão Régis se ofereceu a acompanhar-me. Eu não podia imaginar que essa viagem que faríamos mudaria o curso da minha vida, pois foi justamente na referida viagem que conversando ele me questionei por qual razão eu optara pelo curso de Pedagogia, haja vista, a baixa remuneração e as dificuldades encontradas na área. Então encontrei o momento certo de falar-lhe de sonhos e de certezas de se poder mudar um pouquinho do mundo quando se na trabalha com Educação.
     De imediato ele se surpreendeu com tanta convicção, mas logo em seguida não teve dúvidas de que queria fazer parte também desse projeto de vida. Foi nessa
oportunidade que, enquanto o sol se declinava apresentando um dos maiores espetáculos que a natureza pode nos oferecer, o céu se revestia de tons alaranjados, nas suas mais variadas nuances, e nosso carro corria deixando para trás os sonhos; o futuro velozmente nos conduzia para a realização deles. E na oportunidade, sem demora, me comprometi que ao retornar para Santa Catarina eu procuraria a área para adquirirmos.
     Sem titubear, assim foi feito, procurei por vários locais, sempre levando em consideração que queríamos um local amplo onde as crianças pudessem correr livremente, um lugar no qual pudéssemos plantar flores e ver morros e árvores, e assim nós idealizávamos o local; local esse que as pessoas, ou seja, tanto as crianças como todo corpo docente e demais colaboradores pudessem ter contato com a natureza e apreciá-la, e assim se sentissem livres e felizes.
     E não demorou muito para encontrarmos, pois a viagem citada acima ocorreu no mês de janeiro e em fevereiro meu irmão viera a Garopaba e nós já pudemos lhe mostrar o terreno. Sucedeu que no mês de março do ano de 2005 nós adquirimos a área de quase 9.000 m². Aos 18 de maio do corrente ano, a obra deu-se por iniciada. Com todos os detalhes discutidos com o engenheiro, como banheiros amplos; janelões para que se ganhasse luz natural e vista para os morros; jardins onde se pudesse contemplar o desabrochar das flores, o bailar das borboletas e os cantos dos pássaros. Tudo transcorreu como o planejado. Eram caminhões de aterro, de pedras e de areia, entrando e saindo durante todo o dia, muitos homens trabalhando. E as carretas de cimento faziam parte do cenário do crescimento da escola que com vigor despontava.
     A primavera daquele ano chovera muito e a obra deu uma atrasadinha; a chuva que caia copiosamente impedia que os trabalhadores continuassem a trabalhar. Nessa ocasião, havia muita especulação do que haveria de ser aquela obra, uns diziam que seria igreja, outros, pousada, e outros tantos, depósito de material de construção, mas alguns já sugeriam uma escola. Então as pessoas começaram timidamente a se aproximar, e foi bem na época da chuva que algumas chegaram, para de perto conferir o que seria a obra tão misteriosa que imponente crescia, e em evidência a cada dia
mais ficava. Foi então que, quando souberam dos planos, não acreditaram que ficaria pronta até janeiro, data essa que havíamos planejado a inauguração do Centro Educacional Porto Seguro.
    E assim se chamaria a tão sonhada escola. A escolha de seu nome foi de um modo mais informal possível, para não dizer, espontânea. Foi no outono de 2005, era noite e se aproximava o dia do retorno do Régis para São Paulo, estávamos reunidos à mesa e o nosso assunto não era outro, tínhamos que aproveitar sua vinda aqui e conversar sobre a escola. Num determinado momento, ele me interpelou qual seria o nome da instituição e, por um instante,  remontei o tempo e me transportei ao passado, enquanto ao mesmo tempo as ideias brigavam na minha mente, foi quando ele me interrompeu e perguntou o que mais teria de relevante na cidade de Imbituba, pois era essa a cidade que sediaria nosso sonho. Era justamente o que eu precisava ouvir para fundamentar o nome que dentro de mim já existia. Respondi-lhe que em Imbituba havia um porto, que a meu ver se diferenciava das cidades circunvizinhas, levando em consideração que todas, na sua grande maioria, têm praias, mas aquela era a única portuária dentre as demais.
     Mais que depressa ele sugeriu Porto Seguro, exatamente o que eu idealizara, pois seria ali onde as pessoas viajariam para o futuro, mesmo enfrentando ondas bravias e mares revoltos, viajariam seguras e certas de que o que elas conquistassem nem o ladrão e nem a ferrugem poderiam roubar-lhes ou consumir, pois o conhecimento é algo que levamos para a vida inteira, e aquele que adquiri-lo será um bem-aventurado. E nenhum lugar melhor que a escola, onde considero uma fábrica de ideias, lugar de formação de consciência, de trocas, de vivências e de aprendizagens. E nada mais fiel para representar tudo isso que um porto seguro.
    Durante a construção tínhamos que providenciar muitas outras coisas, dentre elas a documentação com sua devida aprovação e a triagem dos funcionários. Na primeira etapa, a da documentação, foi uma conquista atrás da outra, pois aprová-la em tempo hábil não foi uma das tarefas mais fáceis, considerando que vivemos num país dentre os mais burocráticos do mundo, conseguimos aprová-la no dia 19 de dezembro de 2005. E
a contratação do pessoal ocorria enquanto a escola aguardava sua devida aprovação de funcionamento. Foram momentos de difícil escolha, numas acertamos, noutras, erramos grandemente. E no final, iniciamos nossas atividades com 14 funcionários. E atendendo a Educação Infantil e as Séries Iniciais do Ensino Fundamental.
    A inauguração da escola foi marcada para o dia 30 de janeiro de 2006. Com a obra concluída, pudemos apresentar uma boa estrutura escolar. Salas equipadas com computadores com acesso à internet, TV e DVD; banheiros amplos e com boa iluminação e ventilação, assim como as salas de aula; sistema central de filtragem, refrigeração e distribuição de água em todos os lavatórios; playground; campo de futebol, refeitório completo e com boa estrutura para chegadas e saídas de veículos particulares e escolares, estrutura que contava inclusive com rotatória para os mesmos, e, para embelezá-la e trazer graça aos olhos, fizemos junto dela uma bonita fonte de água.
    E por falar na inauguração, vale lembrar que, para me fazer ainda mais feliz, a escolha pela data foi porque nesse dia comemoramos meu aniversário, e isso seria um grande presente para mim, já que tinha sido eu a mentora de todo esse projeto.
E assim ela tem crescido em número de alunos e também de tamanho, no início ela media 420m² e hoje, no ano de 20020, ela mede 1100m² que contam com salas de coordenação, orientação e direção e ainda com 11 salas de aulas. Já são ?????? o número dos colaboradores. No corpo administrativo e pedagógico, temos uma equipe multidisciplinar com pedagogos e psicopedagogo. Desfrutaremos de um ginásio de esportes medindo 1250m² com banheiros, palco, arquibancadas, vestiários e quadra de esportes.
    O tempo passou e com o empenho e comprometimento daqueles que fazem dela uma escola de boa qualidade, ela tem ganhado destaque e visibilidade, com projeções para um futuro bem próximo, com ampliação de novas turmas e também de cursos.
Entendo que mesmo sendo uma empresa, não dá para pensar nela como tal, ou pelo menos, não somente dessa forma porque escola trabalha com gente, com gente que
pensa, que ama, que sente e que chora. Escola não é só estudar, escola é, sobretudo, viver, conhecer, questionar e fazer. Escola é uma coisa engraçada, a gente às vezes a ama e também a odeia, porque por vezes ela nos revela nossa ignorância; outra, nos faz sentir gente inteligente.
   E ser dona de escola é pior ainda, porque tem um monte de gente olhando pra gente, dos mais novos aos mais velhos, isso me refiro no sentido literal, ou seja, dos alunos do Grupo Infantil lI, que é a faixa etária mais nova que atendemos, aos seus vovôs e vovós.
E crítica e sugestão são o que não nos faltam, pois todos os leigos do mundo buscam autorização - não sei aonde, se bem que, se soubesse acabaria com esse órgão- para dar sugestões como se fossem versados no assunto, causando não só em mim, mas em toda a equipe, um desgaste que muitas vezes minam nossa força de lutar. Mas como nem tudo são flores e nem horrores, ser dona de escola ainda é muito gratificante por conviver com a certeza de que viver vale a pena, e que o dia em que aqui findar o meu labor, na vida de muitas pessoas vou ter contribuído com a sua formação acadêmica, social, afetiva, ética e emocional.
   E acredito que só teremos uma sociedade mais justa, digna e saudável se esta for composta por cidadãos humanizados. E o melhor lugar do mundo para formá-los, depois da família, é a escola. Por isso e por tudo mais eu concebo essa instituição como peça indispensável, como o segundo e mais eficaz meio na construção da humanização de pessoas e, em consequência disto, seguramente, teremos um mundo melhor. E este deve ser o principal compromisso da escola, ou seja, formar cidadãos humanizados para servir e se inserir na sociedade.

Tudo isso é uma organização chamada escola, tudo isso sente o dono de escola.

Lana Bittencourt
Sócia-Administrativa
Garopaba, 17 de setembro de 2008.